Como é possível, na era da felicidade, não ficar doente de tristeza?

Ninguém está propriamente bem. E nunca foi problema não estar feliz o tempo todo. O interesse em assuntos do universo da psicanálise é cada vez maior. E há uma razão clara para isso. O ser humano está mais aberto a se descobrir e enfrentar seus sofrimentos. As pessoas fazem análise e não acham que são loucas por isso. Isso é uma revolução. O sujeito contemporâneo sabe onde buscar ferramentas para se perguntar o que é a depressão, o que é a loucura, a violência, o racismo.
As redes sociais contribuem para que vivamos em uma espécie de Show de Truman – em escala planetária. Trata-se de um grande circo contínuo, divertido, engraçado e feliz, um delírio. Isso tem um custo. A clínica mostra isso claramente. A psicanálise ajuda nesse processo porque atua no “backstage” e dá espaço para que os pacientes possam… falar. “Falar transforma uma pessoa. Simples assim.”
Freud foi uma figura importantíssima para fazer uma espécie de divulgação de uma outra concepção de subjetividade. Hoje, qualquer pessoa, em muitos meios, conhece a palavra “inconsciente”. E também termos como “ego”, “superego”, “ato falho”. São palavras que já estão em pleno uso. Então, nós podemos dizer que, inconscientemente, somos todos freudianos. Já estamos há cem anos sensíveis a nos observarmos de um ponto de vista mais sofisticado e menos ingênuo. A psicanálise é uma ferramenta gigantesca, uma lupa. É como se a gente descobrisse uma espécie de microscópio da alma.

Redes sociais impulsionam a busca pela perfeição – mas há saída!

Fonte: Estadão - Entrev. Maria Lucia Homem

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