Dostoiévski em seu leito de morte, por Ivan Kramskoi, 1881.

Fiódor Mikhailovich Dostoiévski (Moscovo, 11 de Novembro de 1821 — São Petersburgo, 9 de Fevereiro de 1881), ocasionalmente grafado como Dostoievsky, foi um dos maiores escritores da literatura russa. É tido como o fundador do existencialismo, mais frequentemente por Notas do Subterrâneo, descrito por Walter Kaufmann como a “melhor proposta para existencialismo já escrita.”

Sua mãe morreu de tuberculose quando ele era ainda muito jovem, em 1837. Em 1839 também perde o pai, alcoólatra e depressivo, que nunca se conformou com a morte da mulher. É aceito hoje, porém sem provas concretas, que o doutor Mikhail Dostoiévski, seu pai, foi assassinado pelos próprios servos de sua propriedade rural em Daravói, indignados com os maus tratos sofridos. Tal fato exerceu enorme influência sobre o futuro do jovem Dostoiévski, que desejou impetuosamente a morte de seu progenitor e em contrapartida se culpou por isso. Motivará o polêmico artigo de Freud: Dostoiévski e o Parricídio.

Estudou contra a vontade numa escola militar de engenharia e entregou-se febrilmente à leitura dos grandes escritores de sua época. Teve também, as suas primeiras experiências dramáticas sob influência de Schiller e Pushkin. Teve sua primeira crise de epilepsia aos dezessete anos, depois de saber que seu pai fora assassinado pelos próprios colonos, que viam nele um homem demasiadamente autoritário. Deixou o exército aos 22 anos para consagrar-se na carreira literária.

Trabalhou como desenhador técnico no Ministério da Guerra, em São Petersburgo. Fez traduções de Balzac e George Sand. Aluga, em 1844, uma casa em São Petersburgo e dedica-se à escrita de corpo e alma.

Em 1849 é preso por participar de reuniões subversivas na casa de um agitador profissional, Petrachevski, e também condenado à morte. No último momento, já no patíbulo, teve a pena comutada. De fato, passou nove anos na Sibéria, no presídio de Omsk foram 4 anos, e mais cinco como soldado raso. Descreveu a terrível experiência no romance Recordações da Casa dos Mortos. Estudos médicos permitiram diagnosticar que sofria de epilepsia temporal. Suas crises sistemáticas, que ele atribuía a “uma experiência com Deus”, tiveram papel importante em sua crise religiosa e em sua conversão durante o desterro, quando a Bíblia era sua única leitura.

Essas dificuldades pessoais sem dúvida ajudaram a fazer de Dostoiévski um dos maiores romancistas de todos os tempos. Inspirado pelo Cristianismo protestante, passou a pregar a solidariedade como principal valor da cultura eslava

Aos 25 anos, em 1846, publica seu primeiro romance, Gente Pobre, onde trata da vida simples dos pobres funcionários da burocracia russa, com extraordinário sucesso em toda a Rússia.

Aclamado como gênio pelos mais exigentes críticos da época, entre eles Bielínski, que o considera o primeiro romancista social da Rússia, e Nekrassov que vê em Dostoiévski um novo Gogol, em homenagem ao primeiro romancista russo moderno.

Entre suas obras de maior importância destacam-se os romances O Idiota, Crime e Castigo, Os Demônios e Os Irmãos Karamazov.

Publica também inúmeros contos: O Mujique Marëi, O Sonho de um Homem Ridículo, Bobock e outros; além de novelas: O Senhor Prokhartchin, A Dócil, O Homem Debaixo da Cama, Uma História Suja e O Pequeno Herói. Cria duas revistas literárias: Tempo (Vrêmia) e Época, e ainda colabora nos principais órgãos da imprensa russa.

O reconhecimento definitivo de Dostoiévski como escritor universal surge somente depois dos anos 1860, com a publicação dos grandes romances: O Idiota e Crime e Castigo. Seu último romance, Os Irmãos Karamazov, é considerado por Freud como o maior romance já escrito.

 

Morte de Dostoievski

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