Mito da Caverna no cotidiano

Já que os mitos fazem parte do imaginário e das ações humanas, rendamos “culto” à deusa Vesta, deusa do lar, fazendo com que ela se sinta recompensada no seio da nossa família, onde ali sejamos o primeiro a agir com respeito, com cortesia, com afabilidade; que sejamos os que usemos com frequência as palavras ‘por favor’, ‘muito obrigado’, ‘com licença’, ‘me perdoe’, ‘eu amo você’; que sempre estejamos com os braços prontos para fortes e afetivos abraços, e as mãos prontas para a colaboração e o companheirismo.

Ao deus Saturno, deus do tempo, tornando sagrado nosso trabalho profissional, nosso trabalho no lar, nosso trabalho em benefício social e obras humanitárias, nossa presença na vida dos nossos entres queridos, nossa dedicação à Deus. Que aprendamos a administrar o tempo de modo a que ele seja bem utilizado e produza frutos saborosos que vitalizem o ânimo, o bem querer, a disposição.

À deusa Minerva, deusa do saber, aproximando-nos do conhecimento, da cultura e também da sabedoria. Que conquistemos o saber, aproveitando as muitas informações disponíveis, que nos facultam alcançar grande amplitude de conhecimentos, e que venham a nos servir de base para uma vida saudavelmente bem vivida. “Reverentes” a Minerva, nos dediquemos a boa leitura, ao estudo da vida e da nossa razão de existir, no aprendizado dos valores imorredouros, das letras e práticas das virtudes, de modo a que aproveitemos do tempo disponibilizado por dádiva de Saturno para nosso crescimento moral, nos entretendo com assuntos eticamente edificantes, deixando de lado as distrações entorpecedoras dos sentidos e dos sentimentos.

À Cupido, o deus do amor. Amor, palavra decantada em prosa e verso, em todos os idiomas e em todos os quadrantes da Terra, no entanto, despida de seu verdadeiro sentido, distante de nossos sentimentos.

Quanta falta faz o Amor!

O Amor é de conteúdo tão rico, que se apresenta de muitos tipos e acabamos achando que o sentimos de diversas maneiras: amor maternal, o amor filial, o amor paternal, o amor-paixão, o amor-desejo. Quando na verdade Amor é amor, e isso basta.

Num sentido mais geral, os tipos mais conhecidos de Amor são: Ágape, afinidade de ideais espirituais; Eros, atração física e desejo; e Philos, afinidade mental e cultural.

O que é mais importante, urgente mesmo, é que desenvolvamos esse nobre sentimento em nós, dedicando-o a nós mesmos, ao próximo e a Deus.

À deus Apolo, deus da luz. Hora e vez de deixarmos a caverna onde convivíamos com as sombras de uma realidade ilusória, valorizando os desvalores, cultuando os desvarios, aprendendo o desnecessário, descuidados das causas e apaixonados pelos efeitos e coisas. Vamos para a luz do dia, para o “reino de Apolo”, a fim de que possamos reconhecer e vivenciar a vida com suas verdades mais verdadeiras. Que a claridade do Sol da Vida, penetre nosso âmago, e ilumine nossos melhores desejos, alinhando-nos ao caminho certo que nos leve para conquistas pessoais no campo das virtudes, da sabedoria, da relação humana harmoniosa.

Hora de ampliar a visão para o exterior mais distante e, principalmente para nosso interior, estimulando o crescimento pessoal, sem receios nem constrições prejudiciais à razão. Vendo na vida a realidade sem crueza, o objetivo sem magia, o subjetivo sem superstição. Isso nos demonstrará que a conquista da felicidade e da harmonia pessoal, depende apenas do esforço que cada qual empreendamos para ser livres, para sair da escuridão da caverna da ignorância, para aspirar o futuro, a fim de voar alto e longe, não pela imaginação mítica, mas através dos recursos psíquicos, intelectuais, sentimentais, na direção da Consciência Cósmica, do Grande Todo, que em nós se desenvolverá a pouco e pouco.

Fora da caverna, rompidos os grilhões que nos retinham apartados da grande luz da vida verdadeira, retomemos a reedificação e o convívio harmonioso em nosso lar, “fiéis” à Vesta; valorizemos o tempo, dando-lhe utilidade efetiva e proveitosa, “acompanhados” de Saturno; dediquemo-nos à conquista do saber, “seguindo junto” com Minerva; vivenciemos o Amor na prática, “rendendo homenagens” a Cupido; acendamos a luz dos valores nobres que há em nós, iluminando-nos a nós próprios e aproximando-nos de nosso próximo, “tutelados” por Apolo.

Nessa jornada iluminativa, que é caminho para dentro de nós, conduzindo o archote com a luz do fogo da verdade, vamos nos autodescobrir e então seremos capazes de acalentar o próximo como irmão de caminhada. E esse será o nosso celeste momento de reencontro com Júpiter, o Senhor dos deuses, que, também por ser conhecido como o deus do dia, fará com que nosso coração pulse em permanente dia e jamais volte a agasalhar sombras, pois onde se faz a luz, as sombras batem em retirada.

Somos herdeiros naturais das nossas próprias experiências, o que nos faculta crescer e adquirir maior soma de valores intelecto-morais, se bem aproveitadas.

Os mitos, dessa forma, encontram-se no bojo das nossas formações, não dissociados do nosso comportamento atual. Atitudes e realizações, anseios e propostas de variado teor repousam, inconscientes, em mitos que não foram decodificados pela consciência. Apresentam-se e nos dirigem ações.

No entanto, à medida que nos desenvolvemos psicologicamente, que alcançamos novos níveis de consciência, os mitos sofrem transformações e adaptações aos mecanismos dos diferentes períodos de crescimento e amadurecimento. As fantasias vão sendo substituídas por novas aspirações realistas que se fundem na imaginação, abrindo espaço para um desenvolvimento equilibrado e saudável.

A libertação do “nosso” mito da caverna, e de todos os mitos, se torna possível quando corajosamente nos revestirmos de valores morais e culturais para enfrentarmo-nos pelo autoconhecimento, e nos demitizar, resolvendo-nos por assumir a nossa realidade espiritual.

Disse Platão, na interpretação do mito, que aquele que havia saído, receava voltar, não ser compreendido e até pudesse ser morto por revelar sua nova verdade.

Num sentido maior, Platão retratou o comportamento humano. Haja vista o que vem sendo feito pelos homens ao longo da História, para os que falaram do que se passava para “além da caverna” em seus tempos: Sócrates, Giordano Bruno, Jan Huss, Joana D’Arc, Mohandas Gandhi, Martin Luther King, sem deixar de citar Jesus, dentre outros tantos. Todos mortos, dando-se em holocausto pelo bem da humanidade, revelando-nos novos horizontes, que ousaram transpor.

Fonte: Inove

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