O que significa a morte e Ressurreição?

Para os cristãos pensarem:

No momento da morte de Jesus, algo inédito aconteceu. O véu do templo rasgou-se.

Apenas o Sumo Sacerdote tinha a permissão de passar pelo véu uma vez por ano (Êxodo 30:10; Hebreus 9:7), de entrar na presença de Deus representando o povo, e fazer expiação pelos seus pecados (Levítico 16).

Este véu tinha mais ou menos 18 metros de altura. Josefo diz que o véu tinha 12 cm de espessura, e que cavalos puxando o véu dos dois lados não podiam parti-lo. A narrativa no livro de Êxodo ensina que este espesso véu era azul, roxo e escarlate, de linho fino torcido.

E eis que o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo” (Mateus 27:50-51a). O que isto significa? O sangue de Cristo serviu como expiação suficiente pelos pecados de toda a humanidade, para sempre; Que o caminho para o Santo dos Santos estava aberto para TODAS as pessoas, em todos os tempos, tanto aos judeus quanto aos gentios.

Mas se o gigante véu do templo rasgou-se há 2.000 anos, porque insistimos em manter cerradas tantas mini cortinas bordadas e com rendinhas?

Deus nunca mais, a partir daquele momento, quis habitar em um Templo feito por mãos humanas (Atos 17:24). Justo, já que o próprio Jesus pregava fora dos templos e quando entrava nas sinagogas era para mostrar que os ensinos eram enganos, e chicotear os ladrões. Sabem como Jesus chamava aqueles que detinham cargos nas religiões? Raça de víboras (Mateus 3.7). Se te consideras Cristão, é porque supostamente tens Jesus (Cristo) como modelo de vida, de fé, certo? E porque ignoras tudo que ele ensinou ao longo da vida e segues aqueles que Ele abominava? Hebreus 8 fala de uma NOVA aliança. Leiam com vossos olhos. “Porei as minhas leis no seu entendimento, E em seu coração as escreverei” (v.10). Quem deve dizer-vos portanto o que fazer ou não fazer? Quem deve dizer-vos que decisão tomar? Foi o próprio Deus que colocou todas as respostas DENTRO de nós, para que nunca mais fossemos enganados por pessoas manipuladoras.

V.11,12: “E não ensinará cada um a seu próximo, Nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; Porque todos me conhecerão, Desde o menor deles até ao maior.
Porque serei misericordioso para com suas iniquidades, e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais”. Porque fala-se tanto em pecado então? Se Deus Todo Poderoso já não se importa com isso, visto que Cristo pregou na cruz TODOS os pecados? Ah… é conveniente injetar culpa nas pessoas.

A psicanálise aborda de forma minuciosa o tema da culpa. Segundo Kahn (2005), existem três tipos de culpa: a ruidosa, que é explícita e consciente ao sujeito; a reservada, que não se anuncia como culpa; e a culpa silenciosa, a que não dá sinal de alerta, mas que pune através de diversos mecanismos, como o sentimento de infelicidade e menos valia. No entanto, em níveis distintos, todo sentimento de culpa pode ser nocivo para o indivíduo, podendo levá-lo ao adoecimento físico e psíquico. A culpa alimenta-se de uma grande quantidade de energia psíquica para manter a constância do sofrimento na pessoa que considera-se merecedora de punição. O castigo é infringido por um superego cruel que induz o sujeito a ter atitudes autopunitivas, levando-o ao desenvolvimento da depressão, da fobia e dos transtornos de ansiedade e alimentares, etc. Mas não irei aprofundar aqui a interpretação psicanalítica, por ser demasiado extensa.
Grande parte das igrejas ensinam que não somos dignos do sacrifício de cristo, que não merecemos o que ele fez, pois nascemos em pecado… isto invalida o grande gesto da cruz. E põe-nos uma culpa absurda. Sou culpada pelo assassinato do meu Deus. Então, como forma de redimir-me pelo mal que causei, crio fardos para carregar, aceito limitações, imposições… assim, com meu sofrimento amenizo um pouquinho do sofrimento do Cristo pregado na cruz – a imagem que não sai dos templos nem dos prédios públicos, nem do inconsciente colectivo. Ou talvez possamos assim isentar-nos, como Pilatos, lavando as mãos – eu estou a sofrer também, portanto ele morreu por culpa dos outros que mostram-se felizes apesar dos “pecados”. Óbvio que estou a referir-me a nível insconsciente.

Desde crianças temos esta imagem: cruz ,dor, sofrimento, morte. Quando Ele veio trazer “vida e vida em abundância” (João 10.10), e foi até o inferno libertar os cativos. Ou seja, ele não vê culpa nem mesmo em quem nós julgamos tê-la. Ele absolveu o ladrão e os condenados ao inferno. Libertou a humanidade do passado, do presente e a do futuro.

O que estamos fazendo para agradecê-lo? Estamos vivendo a vida de liberdade e alegria que ele tanto sofreu para nos dar?

Estamos no mundo para buscar valores, virtudes e sabedoria. Portanto, deixe de ser esse software programado para cumprir obrigações. Experimente ser autêntico. Chega de mecanicidade e artificialidade. Deixe de ser moldado pelo meio e passe a moldar seu meio. “Igualmente não se acende uma candeia para colocá-la debaixo de um cesto. Ao contrário, coloca-se no velador e, assim, ilumina a todos os que estão na casa. Assim deixai a vossa luz resplandecer diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5.15-16).

A inquietude é o maior dom do ser humano. “Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” Oséias 6.3. Que esta páscoa seja a ressurreição da tua consciência e da tua libertação emocional!!

Deixe uma resposta