Que critérios usamos atualmente para decidir casar?

DivórcioO casamento como instituição tem passado por várias modificações ao longo dos anos. As regras, objetivos e normas desse vínculo não são nada parecidos com o que tivemos há algumas décadas. Mudaram as expectativas ao transformarmos o casamento tradicional em casamento moderno.

Se retrocedermos o olhar um pouco, encontraremos uma época em que a única forma para uma mulher sair dignamente da casa dos pais era através do matrimônio. Hoje as mulheres deixam a casa dos pais bem jovens, seja para estudar em outra cidade, trabalhar ou apenas ter sua independência. Os casais ainda no namoro passam pela experiência de morarem juntos antes do casamento, até para terem certeza de que a convivência será harmônica. Casam, geralmente, quando decidem ter filhos.

A premissa de que o casamento deve durar para sempre já não existe. Foi substituída pela valorização da intensidade e profundidade da relação. A separação não é vista hoje como sinônimo de fracasso, mas sim, divergências surgem do desenvolvimento pessoal dos parceiros e maturidade emocional. O divórcio pode significar que ambos querem fazer novas parcerias, pois há esperança de uma história de amor dar certo.

A proximidade dos cônjuges não era frequente no modelo tradicional de casamento. Poderiam viver anos juntos sem conversarem sobre sentimentos. O prazer e a felicidade não estavam previstos. Hoje o esperado é que haja diálogo permanentemente, e sem restrições. Essa é uma forma de fortalecer o vínculo. As funções do casal também se adequaram ao novo modelo. Já não vemos o homem como provedor e a mulher com a missão de cuidar da casa e educar os filhos. Espera-se hoje que ambos desempenhem todos os papéis necessários ao bom andamento do lar.

Contrariando os estereótipos da solteirona frustrada e do solteirão desimpedido e festeiro, as mulheres hoje ficam muito bem, enquanto os homens solteiros muito mal. Estatisticamente, quanto maior a instrução da mulher e melhor esteja no trabalho, menor a probabilidade de casar (Pesquisa realizada pelo Center for International Development da Universidade de Harvard, 2010). Para os homens é exatamente o oposto. Em uma pesquisa realizada pela Toledo Associados (2010), 77% das 125 entrevistadas na cidade de São Paulo, de todos os segmentos de renda e níveis educacionais, entre 18 e 60 anos, se consideravam mais inteligentes que os homens. Além disso, 74% se disseram menos corruptas, 94% mais intuitivas, 87% mais organizadas e 82% mais competentes no trabalho em relação ao gênero masculino. Além disso, elas não admitem serem mães apenas razoáveis ou profissionais medianas. Dos 23 milhões de empreendedores em estágio inicial no Brasil, 49% são homens e 51% são mulheres (Global Enterpreneurship Monitor, 2014);

Os parceiros se escolhem a partir de critérios pouco conscientes, ligados ao encantamento que surge entre ambos. Tendo em vista tantas mudanças, que critérios temos atualmente para decidir casar?

 

 

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