Quem decide sobre a cura nas seitas destrutivas?

O meio cristão fundamentalista trata todas as questões relacionadas ao corpo como tabu. E a primeira manifestação disto, é quando um membro fica doente. A causa da doença é outorgada a algum pecado, ou apenas “não ter feito a vontade de Deus”- doença como punição. Por outro lado, há reinterpretações para as doenças quando atingem os líderes. Nesses casos, a doença passa a ser vista como “provação”ou “ataque do demônio” para fazer calar o “Ministro de Deus” na “guerra espiritual”. Assim, a doença torna-se uma dádiva que reafirma a condição de “eleito” (escolhido de Deus) do líder.

Primeiramente oram. Se a oração não resultar, busca-se ajuda médica. Ressalva-se que quando a oração falha a “culpa” é do fiel que não teve fé suficiente, porém se ficar curado, dá status a quem orou por ele. Percebam a perversão nesta forma de apresentar a questão aos fiéis.

Incitam a descrença na medicina, ligando à questão financeira. Quando um fiel relata sua peregrinação pelo sistema de saúde, gastos com remédios/médicos particulares, perguntam: “Quanto você gastou?” Enfatizam que foi desperdício e que seria melhor ter doado para a seita – mesma explicação para o dízimo: Se o dinheiro for doado, o fiel será abençoado, caso contrário, todo o dinheiro que retiver será amaldiçoado. É fácil aceitar a característica mágica da cura, pois há uma visão mitológica dos serviços médicos, baixa escolaridade e condições financeiras precárias (Cerqueira-Santos, Koller & Pereira, 2004).

Mas o próprio doente deve buscar ajuda, com apoio da família. Se o enfermo não tiver família e estiver incapacitado, não participa dos cultos, pois ninguém o transporta, assim como não tem companhia de um “irmão” para ir consultar, ajudar nas atividades domésticas ou orientação para procurar um psicólogo. As seitas (salvo raras exceções) não se ocupam dos membros inativos, pois estes “não estão trabalhando pela obra”. Há descaso mesmo em casos graves. Sabe-se por relatos clínicos de pessoas com histórico depressivo e tentativas de suicídio que não foram levadas para tratamento, pois delegam a Deus a responsabilidade total (França, Baptista & Brito, 2008).

Onde mesmo está o amor? Não é na caridade e benevolência?

Não permita que sua saúde esteja na mão de “líderes”. Você é responsável pelo seu bem estar-físico e emocional. Pense nisso.

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