Roman Krznaric: “Empatia é um antídoto”

Estudioso do tema, Roman Krznaric acredita que a empatia pode criar uma grande mudança social. Lançou recentemente o livro Empathy – A Handbook for Revolution, com lançamento previsto para junho no Brasil. Em entrevista por e-mail, o australiano respondeu por que precisamos disso.

Roman Krznaric“Acho que vivemos em um mundo hiperindividualista, onde o capitalismo consumidor nos convenceu de que a questão mais importante para a boa vida é: “O que tem nele para mim?”. Isso simplesmente alimenta o velho mito de que os seres humanos são essencialmente egoístas. Mas a neurociência moderna nos diz o contrário. Na verdade, somos apenas criaturas empáticas, com tendência à cooperação social e ajuda mútua. Se 98% de nós têm a capacidade de empatia – para entrar na pele dos outros e olhar para o mundo através de seus olhos – em nossos cérebros, ela é um antídoto para a nossa cultura excessivamente individualista. Ele pode nos fazer mais equilibrados e preocupados com as pessoas que vivem às margens sociais.

Se você olhar a história, a empatia tem sido essencial para a criação de mudanças sociais. No século 18, os ativistas contra a escravidão na Europa pegaram pessoas da população para tentar imaginar o que poderia ser um escravo que trabalhava até a morte em uma plantação de açúcar no Caribe. Em outras palavras, eles tentaram fazer as pessoas terem empatia com os escravos. Isso levou a um movimento social de massa e à abolição da escravatura na região. Precisamos reconhecer que a empatia pode criar uma revolução – não daquelas à moda antiga, baseadas em novas leis ou instituições, mas algo mais fundamental: a revolução das relações humanas. Necessitamos hoje, com urgência. Basta pensar o quanto estamos entrando na pele das gerações futuras, pela queima de combustíveis fósseis e destruindo nosso único lar planetário. Precisamos dar o salto imaginativo empático e nos colocar nos sapatos das gerações futuras como forma de nos motivar a agir sobre os seus comportamentos.

Eu vejo o século 20 como a idade de introspecção, em que todos, de Freud a Oprah Winfrey, nos disseram que a melhor maneira de entender a nós mesmos era de olhar para dentro, auto praticar a autorreflexão, olhar para as nossas próprias almas. Não há nada de errado com isso. Na verdade, a introspecção é essencial para a autocompreensão. Mas precisa ser equilibrado com o que chamo de “outrospecção”, a ideia de descobrir quem você é e como é viver fora de si mesmo, para descobrir a vida de outras pessoas e culturas”.

Roman é um dos criadores do Museu da Empatia. Será uma mostra itinerante internacional, com exposições incomuns, como uma Biblioteca Humana, onde, em vez de pegar um livro, é possível tomar emprestada uma pessoa para uma conversa. A ideia é poder falar com um adolescente muçulmano ou um veterano de guerra ou um banqueiro de investimento infeliz, por exemplo. Deve abrir no meio de 2015. Também existirá em versão online.

Fonte: ZH

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