Sexualidade e Divórcio nas Igrejas Fundamentalistas

Ninguém pode divorciar-se nessas religiões, exceto se descobrir um adultério do cônjuge, e tenha provas disso. Se não provar à liderança, deve permanecer casado. Não há outra justificativa válida como acabar o amor ou desrespeito/desprezo do outro. Independente do comportamento do parceiro, o casamento deve durar “até que a morte os separe” (Dantas, 2010). Isso causa desespero nas pessoas, e muitos casos de depressão. Ser obrigado a viver com alguém sem amor é desumano. Já nas TJ há um procedimento curioso. Se um dos cônjuges deixa a religião, o que permanece deve divorciar-se, mesmo que o ame. A fidelidade à religião está acima da fidelidade ao cônjuge. Percebem que a regra muda quando há o risco de perder um membro? (Bornholdt, 2004; Lara, 2011).

Se o amor termina, o que fazer na vida sexual? Se não podem ter outros parceiros, são induzidos a sexo sem amor com uma pessoa que já não é a mesma com quem casou, afinal de conta os seres humanos evoluem. Aí entra a hipocrisia, pois os maridos buscam sim outras mulheres, e mantém essas relações secretas. Já as esposas têm a tendência a ficarem sozinhas, e desenvolvem depressão, até porque mulheres associam sexo a sentimento, geralmente.

Muitas pessoas que congregam em igrejas fundamentalistas revelam uma vida sexual insatisfatória com seu parceiro. O cônjuge não o satisfaz sexualmente, mas também não o/a satisfaz como parceiro de vida ou como pai/mãe de seus filhos. Aí surgem os transtornos psicossomáticos, afinal, o que não podemos falar nosso corpo mostra. Conforme pesquisa de Maraldi (2014) nas igrejas evangélicas os índices de depressão/ansiedade se equiparam aos da umbanda, sendo porém maiores na somatização. Se o casal busca conversar com alguém da igreja sobre a crise no casamento, ouvem que é algo errado na vida espiritual deles, que é preciso consertar. Em alguma coisa “deixaram brecha” – novamente incutem culpa. O casal é portanto culpado pela crise, pelo término do amor, ou por terem se interessado por outra pessoa. Portanto, é raro alguém falar sobre problemas no casamento no meio fundamentalista. Fingem que tudo está bem.

Há diversos transtornos sexuais presentes, como impotência, ejaculação precoce, vaginismo, dispareunia, ausência de libido ou aversão sexual. Esses problemas ocorrem também em pessoas que nunca frequentaram igrejas, mas neste contexto a causa pode ser atribuída à associação feita entre sexo e pecado, por anos a fio. E a sexualidade mantém-se severamente prejudicada mesmo após deixarem a religião, pois foram “doutrinados” a não gostar de sexo ou a ter medo dele (Winell, 2013). Mas quem fala de transtornos sexuais nas igrejas?

A homossexualidade é ainda considerada pecado e possessão demoníaca, por mais lights que sejam os discursos na tv. Os homossexuais são aceitos nas igrejas, desde que abstenham-se da prática homossexual. O desejo deve ser “controlado”. Mas poucos membros têm coragem de iniciar uma amizade com eles. São rejeitados pelo grupo. Isso é fomentar preconceitos (Dantas, 2010; Rozendo, 2016). O homossexual que decide ser parte de uma destas igrejas deve ter consciência de que nunca será tratado como Igual, e terá também que fingir felicidade.

“Foi para a liberdade que Cristo nos libertou! Portanto, permanecei firmes e não vos sujeiteis outra vez a um jugo de escravidão”. Gálatas 5:1  O que mesmo quer dizer este versículo?

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